terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Encolhimento da população do Brasil vai atrás do Japão corroido física e psíquicamente

Casas abandonadas aumentam em número.
Casas abandonadas aumentam em número.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O Brasil, infelizmente, vem percorrendo a mesma estrada rumo ao abismo populacional que empreendeu o Japão, embora ainda esteja mais distante do desastre nipônico.

O número de nascimentos registrados no estado de São Paulo vem caindo há anos, informou “OESP”.

Em 2018, ocorreram 605.630 nascimentos no Estado, quase 166 mil menos do que em 1982, de acordo com a mais recente estatística da Fundação Seade, malgrado o enorme aumento da população paulistana.

A queda em pouco menos de quatro décadas foi de 21,5%.

O número médio de filhos por mulher passou de 2,08 em 2000 para 1,70 em 2018.

Shinobu Ogura auxilia no fabrico dos 'habitantes' da cidade que morre
Shinobu Ogura auxilia no fabrico dos 'habitantes' da cidade que morre
As mudanças têm também grandes consequências sociais, econômicas e fiscais.

Com o aumento auspicioso da longevidade – de 54,2 para 76,4 anos em relação a 1950 – começam a tomar corpo os desequilíbrios ora registrados no Japão, de insuficiência de trabalhadores ativos para sustentar os aposentados.

No Japão, em 2005 a população japonesa diminuiu pela primeira vez desde 1899, superando as piores expectativas.

Naquele ano, a redução foi de 10 mil habitantes, segundo cômputo governamental, com uma taxa de natalidade 1,29 filho por mulher, quase a metade do mínimo para repor as mortes, noticiou a “Folha de S. Paulo”.

As projeções anteriores previam que o Japão tivesse 27 milhões a menos em 2050, em parte pelo envelhecimento da população, e o governo previa que 25% dos japoneses teriam 65 anos ou mais em 2014.

Mas os índices pioraram para além do previsto e o governo vem lutando para manter a população acima de 100 milhões recorrendo à imigração, informou a Deutsche Welle, rádio oficial alemã.

O último censo apontou uma perda de quase 1(um) milhão de habitantes em apenas cinco anos.

A capital, Tóquio cresceu 2,7%, para 13,5 milhões ou 10,6% da população do país, sofrendo os males de uma cidade superpovoada.

A estimativa do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional é de que o percentual de aposentados com 65 anos ou mais constitua 40% da população japonesa até 2060, ameaçando a força de trabalho necessária para garantir à expansão econômica do país, outrora famosa.

Sem um aumento significativo de nascimentos, a população do país cairá para 108 milhões até 2050 e para 87 milhões até 2060, acrescentaram as fontes citadas pela Deutsche Welle.

Em 2019, o Ministério do Bem-Estar estimou que o Japão tenha ficado com 512 mil pessoas a menos.

A natalidade caiu ao nível mais baixo desde 1874, quando, paradoxalmente a população era cerca de 70% menor que a atual, noticiou “O Estado de S.Paulo”.

As mortes, majoritariamente por idade, superaram as baixas do fim da Segunda Guerra Mundial, quando o país fora derrotado pelos EUA com bombardeios atômicos.

Boneca 'camponesa' dá 'vida' à paisagem rural de Nagoro.
Boneca 'camponesa' dá 'vida' à paisagem rural de Nagoro.
Portanto, menos jovens passam a trabalhar, e os aposentados deixam vagas não preenchidas, pondo em xeque a vitalidade econômica e a estabilidade social daquele país.

O Japão não é exceção, o recorde da perda de natalidade é da Coreia do Sul.

E muitos outros países, incluindo vários da União Europeia, China e Estados Unidos já pensam em problemas de despovoamento e migrações de grandes massas de estrangeiros no futuro.

Vilas japonesas inteiras estão desaparecendo.

Os incentivos aos nascimentos se mostram insuficientes e o casamento está em declínio.

O Japão tenta multiplicar os robôs no trabalho e aumentar os imigrantes.

Exemplo patético foi narrado pelo “The New York Times” no vilarejo de Nagoro.

Lá, as últimas crianças nasceram há 18 anos e a escola primária foi fechada em 2012, por falta de alunos. Não há mais lojas.

No desespero do vazio, Tsukimi Ayano fez 350 bonecas – suas “amigas” – e as instalou em locais públicos para fingir animação.

Bonecos de alunos brincando na escola para preencher o vazio.
Bonecos de alunos brincando na escola para preencher o vazio.
Bonecas do tamanho de crianças disputam uma corrida, brincam no balanço e arremessam bolas. Uma “senhora” cuida de um túmulo na beira da estrada. “Operários da construção” fumam cigarros. Na escola, há “alunos” sentados em carteiras, “camponeses” cuidam do campo, e muitos outros à beira da estrada ficam olhando...

Quando Tsukimi era criança, moravam 300 pessoas em Nagoro. Mesmo com subsídios agora o local não atrai novos moradores.

O mais incrível é que viajantes param para pedir informações às bonecas. “Se fossem humanos de verdade”, disse Kayoko Motokawa, 67, “esse seria um lugar verdadeiramente feliz”.



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