terça-feira, 14 de agosto de 2018

A Assunção: prêmio pelos sofrimentos da co-redenção

Assunção, Fra Angelico  (1395 – 1455), Google Cultural Institute.
Assunção, Fra Angelico  (1395 – 1455), Google Cultural Institute.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Nosso Senhor quis Ele mesmo subir aos céus contemplado pelos homens. Mas, também quis que a Assunção de Nossa Senhora para o Céu, depois da dEle, se desse diante do olhar humano.

Por quê?

Era preciso que a Ascensão fosse vista por homens que pudessem dar testemunho desse fato histórico duplo: não só de que Nosso Senhor ressuscitou, mas de que tendo ressuscitado Ele subiu aos céus.

Subindo ao Céu, Ele abriu o caminho para as incontáveis almas que estavam no Limbo esperando a Ascensão para irem se assentar à direita do Padre Eterno.

Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo ninguém podia entrar no Céu. Ali só os anjos estavam lá.

Então Nosso Senhor, na Sua Humanidade santíssima, foi a primeira criatura – porque Ele ao mesmo tempo era Homem-Deus – que subiu aos Céus.

E enquanto Redentor nosso, Ele abriu o caminho dos Céus para os homens.

Também era preciso que Ele, que sofreu todas as humilhações, tivesse todas as glorificações.

E glória maior e mais evidente não pode haver do que o subir aos Céus.

Porque significa ser elevado por cima de todas as coisas da terra e unir-se com Deus Pai transcendendo esse mundo onde nós estamos para se unir eternamente com Deus no Céu Empíreo.

Jesus Cristo quis que Nossa Senhora tivesse a mesma forma de glória.

Assim como Ela tinha participado como ninguém do mistério da Cruz, que Ela participasse também da glorificação dEle.

A glorificação dEla se deu sendo levada aos céus.

Foi uma assunção e não uma ascensão. A ascensão foi a de Nosso Senhor ao céu por Sua própria força e poder.

A coroação no Céu foi a culminação da Assunção.
Fra Angelico  (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença
A assunção não é igual. Nossa Senhora não subiu ao Céu por um poder próprio, mas pelo ministério dos anjos. Ela foi carregada aos céus pelos Anjos.

Foi a grande glorificação dEla nesta terra, prelúdio da glorificação dEla no Céu.

No momento em que Ela entrou ao Céu, Ela foi coroada como Filha dileta do Padre Eterno, como Mãe admirável do Verbo Encarnado e como Esposa fidelíssima do Divino Espírito Santo.

Nós devemos conceber a Assunção como um fenômeno gloriosíssimo.

Infelizmente, os pintores da Renascença para cá não souberam descrever a glória que cercou este espetáculo.

Quando se quer glorificar alguém, todo mundo se põe nos seus melhores trajes, na casa se exibem os melhores objetos, se ornamenta com flores, tudo aquilo que há de mais nobre é exibido para glorificar a pessoa a quem se quer homenagear.

Esta regra da ordem natural das coisas é seguida também no Céu. Então é claro que o maior brilho da natureza angélica, o fulgor mais estupendo da glória de Deus deve ter aparecido no momento em que Nossa Senhora subiu ao Céu.

Muitas vezes na história a presença dos anjos se faz sentir de um modo imponderável, embora não seja uma revelação deles.

Mas nesta ocasião, deveriam estar rutilantíssimos, num esplendor invulgar.

É natural também que o sol tenha brilhado de um modo magnífico, que o céu tenha ficado com cores variadas refletindo a glória de Deus como numa verdadeira sinfonia.

Assunção, igreja de São Cipriano, Londres
É natural que as almas das pessoas que estavam na terra tenham sentido essa glória de um modo extraordinário, a verdadeira manifestação do esplendor de Deus em Nossa Senhora.

Nenhum dos esplendores da natureza podia se comparar com o esplendor pessoal de Nossa Senhora subindo ao Céu.

À medida que Ela ia subindo, como num verdadeiro monte Tabor, a glória interior dEla ia transparecendo aos olhos dos homens.

O Antigo Testamento diz dEla: omnis glória eius filia regis ab intus ((Ps 44, 10) – toda a glória da filha do rei lhe vem de dentro.

Com certeza essa glória interna dEla se manifestou do modo mais estupendo quando, já no alto de sua trajetória celeste, Ela olhou uma última vez para os homens, antes de deixar definitivamente esse vale de lágrimas e ingressar na glória de Deus.

Foi o fato mais esplendorosamente glorioso da história depois da Ascensão de Nosso Senhor.

Comparável apenas com o dia do Juízo Final em que Nosso Senhor Jesus Cristo virá em grande pompa e majestade para julgar os vivos e os mortos.

Junto com Ele, toda reluzente da glória dEle, aparecerá também Nossa Senhora. Nós devemos considerar aí a impressão que tiveram os apóstolos e os discípulos quando A viram subir ao Céu.

A tradição narra que o apóstolo São Tomé duvidou da Ascensão. Por isso foi convidado por Nosso Senhor a meter a mão na chaga sagrada do flanco dEle.

Ele recebeu a Pentecostes e ficou confirmado em graça e um grande santo.

Mas conta uma tradição venerável que, porque ele duvidou da Ascensão, na hora da morte e da Assunção de Nossa Senhora ele não estava presente.

Quando chegou Nossa Senhora já estava a certa distância da terra.

E ali vemos a índole de Nossa Senhora super materna, incomparável. Quando

Foi um castigo pungente e merecido por uma culpa tão reparada. Então, conta-se que Ela sorrindo, concedeu uma graça a ele que não concedeu a nenhum outro:

Ela desatou o seu cinto e de lá de cima fez cair o cinto sobre ele, que ele recebeu – não como um perdão, porque ele já estava perdoado – mas como uma suprema graça, que era uma relíquia dEla atirada para ele do mais alto dos céus.

Assunção, col. UTS, manuscrito MS49
Assim faz Nossa Senhora quando tem algo a perdoar a algum filho muito dileto.

Ela pune às vezes, porque às vezes Ela nem sequer pune, mas Ela o faz com um sorriso tão bondoso, de um perdão tão completo e de uma graça tão grande que São Tomé poderia mostrar esse presente dizendo: “o felix culpa, ó culpa feliz! Eu tive a desgraça de duvidar de meu Salvador, mas em compensação eu tive a felicidade de receber esta relíquia direta e celeste de minha Mãe Santíssima”.

O último favor dEla, a amenidade mais extrema, a bondade mais suave Ela deu exatamente a São Tomé.

Isto nos deve encorajar.

Não há nenhum de nós que não tenha falhas, não tenha algum perdão a pedir.

Nós devemos pedir a Nossa Senhora na festa da Assunção que Ela olhe para nossas falhas, e nos dê um perdão.

Se nós chegarmos atrasados, que Ela nos dê o favor especial, particularmente rico e suave, de maneira tal que quando os acontecimentos anunciados por Nossa Senhora em Fátima nós estejamos prontos.

Em Fátima durante no milagre do sol, esse se manifestou de um modo tão esplêndido, num espetáculo de terribilidade.

Na Assunção de Nossa Senhora poderemos ir nos preparando para os grandes momentos previstos em Fátima com a certeza de que Ela nos sorrirá com a super maternidade com que tratou a São Tomé.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra de 10.8.1968, sem conferição do autor)


Vídeo: Assunção da imagem de Nossa Senhora em Cantillana, Espanha, 2017





O mesmo ato da assunção, completo, em 2013




domingo, 5 de agosto de 2018

Sacerdotes australianos
preferem prisão a violar o secreto da confissão

Simpósio da Fraternidade Australiana do Clero Católico: o segredo sacramental “é Lei Divina, que a Igreja não tem poder para dispensar”.
Simpósio da Fraternidade Australiana do Clero Católico: o segredo sacramental
“é Lei Divina, que a Igreja não tem poder para dispensar”.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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O Pe. Michael Whelan, pároco de St. Patrick, em Sydney, esclareceu de público que o Estado não pode constranger os sacerdotes católicos a praticarem o mais grave dos crimes. “Não estou disposto a isso”, disse.

E acrescentou que ele e outros sacerdotes estão “dispostos a ir ao cárcere” antes que romper o segredo de confissão, noticiou a agência ACIPrensa.

A Igreja não está por cima da lei, mas “quando o Estado mina a essência do que significa ser católico, resistiremos”.

O Pe. Whelan falou após a Assembleia Legislativa do Território de Canberra aprovar lei obrigando os sacerdotes a transgredir o segredo da confissão nos casos envolvendo algum abuso sexual. A norma entrará em vigor no dia 31 de março de 2019.

O Território de South Australia aprovou lei similar e Nova Gales do Sul estuda norma parecida.

Em South Australia, o Administrador Apostólico da Arquidiocese de Adelaide, Mons. George O’Kelly, afirmou que “os políticos podem mudar a lei, mas nós não podemos mudar a natureza do confessionário, onde o sacerdote representa a Cristo”.

Por isso, o bispo da cidade disse que essa lei não pode ser aplicada.

O arcebispo de Melbourne (segunda maior cidade da Austrália, com mais de quatro milhões de habitantes, 23% dos quais católicos), Mons. Denis Hart e vários sacerdotes anunciaram que não obedeceriam essa lei iníqua e imoral.

Mons. Greg O’Kelly, administrador apostólico de Adelaide: “nós não podemos mudar a natureza do confessionário, onde o sacerdote representa a Cristo”
Mons. Greg O’Kelly, administrador apostólico de Adelaide:
“nós não podemos mudar a natureza do confessionário,
onde o sacerdote representa a Cristo”
O cânon (lei) 984 do Código Direito Canônico (Compêndio das leis da Igreja) proíbe “terminantemente” ao confessor fazer uso de qualquer informação ouvida na confissão.

E o cânon 1388 pune o confessor que “viole diretamente o sigilo sacramental com excomunhão latae sententiae (automática) reservada à Sé Apostólica”, quer dizer, que só pode ser levantada pelo Papa.

A Fraternidade Australiana do Clero Católico (Australian Confraternity of Catholic Clergy – ACCC), associação privada de sacerdotes, aderiu aos bispos e sacerdotes que recusam violar o segredo da confissão ainda quando ameaçados de cárcere, como pretendem as novas leis. A notícia é da agência ACI.

Em agosto de 2017 uma comissão oficial, criada na Austrália para investigar os casos de abusos sexuais, propôs obrigar os sacerdotes a violar o segredo de confissão nos casos que incluam abuso sexual.

E em 7 de junho de 2018 a Assembleia Legislativa do Território de Canberra aprovou essa lei. Esse território, embora diminuto, equivale ao nosso Distrito Federal e engloba a capital australiana, de 400 mil habitantes, com larga predominância protestante e agnóstica.

Em 2 de julho a ACCC exprimiu “sua profunda objeção” à lei, embora desejando firmemente proteger “crianças e adultos vulneráveis contra o abuso”.

Porém, a associação sublinhou que o segredo do sacramento “não é uma mera questão de Direito Canônico, mas é Lei Divina, que a Igreja não tem poder para dispensar”.

Portanto, “sacerdote algum está obrigado a cumprir qualquer lei humana que mina a confidencialidade absoluta da confissão”.

Destacaram também que a intenção pretextada pela lei “é frustrada pela própria lei arguindo uma compreensão radicalmente inadequada do sacramento”.

No nº 1467, o Catecismo da Igreja Católica explica que “este segredo, que não admite exceção, se chama ‘sigilo sacramental’, porque aquilo que o penitente confiou ao sacerdote fica ‘selado’ pelo sacramento”.

Fraternidade Australiana de Clero Católico com Mons Geoffrey Jarret.
“sacerdote algum pode cumprir lei que mina a confidencialidade absoluta da confissão”
Ao mesmo tempo em que defende o segredo da confissão, a Igreja qualifica o abuso de menores como ato criminoso e gravemente pecaminoso.

A Fraternidade Australiana de Clero Católico aponta gravíssima contradição na nova lei contrária ao sigilo sacramental, pois os pecadores não irão confessar o ato iníquo, ficando sem os recursos penitenciais e sobrenaturais para não reincidir.

Em poucas palavras, a lei multiplica os casos de abusos.

Além de abrir perigoso “antecedente na Austrália para a violação da liberdade religiosa em virtude da intromissão do Estado no domínio do sagrado”, minando a religião e a moral pública com a subsequente multiplicação dos crimes.

O caso da Austrália não é isolado e restrito a um país longínquo.

Tenta-se aplicar normas análogas em nossos países, abrindo o passo para a perseguição religiosa e a extinção dos últimos freios à imoralidade e ao crime rampantes.


terça-feira, 17 de julho de 2018

De volta as escolas que respeitam a psicologia dos meninos e das meninas

Rendimento escolar específico cresce a olhos vista.
Rendimento escolar específico cresce a olhos vista. Escola católica nos EUA.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Ressurgem as escolas exclusivas para meninos ou meninas. Elas favorecem o desenvolvimento de uns e de outras. E estão aumentando a cada ano. Hoje somam 240 mil escolas em 70 países no mundo.

Uma moda inspirada no espírito anárquico igualitário de Maio de 68 e no relativismo moral espalhado em nome de Concílio Vaticano II desqualificou as escolas single-sex (só para meninos ou só para meninas).

A revolução cultural-sexual da Sorbonne começou em marco de 1968 na Universidade de Nanterre, na periferia de Pais, reclamando toaletes comuns para homens e mulheres.

Hoje, essa reivindicação está no cerne da agenda LGBT e causa profundas divisões nos EUA, onde a população recusa a mistura de toaletes que admitiria aos transexuais.

Na Austrália também se redescobre os benefícios da escola diferenciada para meninos e meninas.
Na Austrália também se redescobre os benefícios da escola diferenciada para meninos.
As escolas sem distinção de sexo não deram os resultados prometidos pela utopia igualitária e danificaram várias gerações.

Por isso as escolas para sexo único voltam a ganhar espaço. Elas mostraram se adaptar melhor aos ritmos diferentes de cada gênero.

Elas são apoiadas por estudos que apontam diferenças no desenvolvimento cognitivo e social de meninos e meninas, informou o jornal “Gazeta do Povo”. 

Também como vem sendo observado por pais de família e comentaristas do blog e nas redes sociais, criam um ambiente propício para a moralidade e os bons costumes.

“As aulas single-sex podem tornar mais fácil aos professores adaptar o ensino às características comportamentais dos alunos”, afirma o psicólogo da escola norte-americana Clover Park School District, Robert Kirschenbaum.

“As meninas parecem preferir ambientes mais quietos em que possam trabalhar em grupo e chegar a um consenso. Meninos costumam preferir um ambiente mais competitivo, com mais atividades físicas e mais barulho”, completa.

Nas escolas single-sex não há diferenças nos conteúdos, mas sim nos métodos, que são mais adequados aos perfis de meninos ou meninas.

O resultado é uma educação personalizada, que atende às necessidades específicas e gera resultados mais eficazes.

As moças estão sendo muito beneficiadas pelas escolas single-sex em Londres
As moças estão sendo muito beneficiadas pelas escolas single-sex em Londres
“Em um ambiente single-sex, principalmente nas idades de 13, 14 e 15 anos, há a oportunidade, tanto para os meninos como para as meninas, de serem eles mesmos por mais tempo”, disse o ex-diretor da faculdade Eton College, Tommy Little, no Fórum Global de Educação e Habilidades (GESF, Global Education and Skills Forum).

No Brasil, as escolas single-sex entraram em declínio depois da década de 1950, quando as instituições públicas passaram a ser mistas.

Mas elas não desapareceram. De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, em 2010 existiam pelo menos 612 escolas públicas e privadas em regime não misto no país.

Em Curitiba (PR), o Colégio do Bosque Mananciais tem como objetivo atender aos ritmos e perfis distintos de meninos e meninas.

“A sociedade estava carente desse sistema educacional”, analisa Leandro Pogere, diretor da instituição.

“Encontramos nesse modelo aquilo que muitas famílias estavam buscando: maior foco no estudo, relacionamentos mais saudáveis e respeitosos, professores que compreendem o universo dos alunos com mais facilidade, os respeitam e motivam, e que auxiliam os pais”, afirma.

No ambiente escolar, a separação por sexo é total: meninos têm professores e as meninas têm professoras, com aulas em prédios distintos, que ficam separados por um bosque.

Nos EUA a procura de escolas single-sex cresceu muito.
Nos EUA a procura de escolas single-sex cresceu muito.
“Certamente todos já constatamos que há profissões comumente exercidas por homens e outras por mulheres. Na educação single-sex podemos encontrar uma solução, uma vez que trabalhamos as habilidades que comumente são encontradas no outro sexo”, conclui.

Nos EUA, o sistema single-sex, ainda restrito quase exclusivamente às escolas privadas de elite e religiosas, começa a ser usado no ensino público, principalmente em regiões de baixa renda.

Na escola primária Charles Drew, na Flórida, um quarto das turmas é separado por sexo. O alto desempenho observado em escolas single-sex compensa o baixo desempenho característico de uma escola periférica.

A avaliação estadual da escola subiu de nota D para C. Resultados similares foram encontrados em outras escolas públicas que adotaram turmas single-sex em centros urbanos como Nova York, Chicago e Filadélfia.

Segundo o Departamento de Educação dos EUA, o país contava em 2014 com 850 escolas públicas single-sex e cerca de 750 escolas públicas que oferecem pelo menos uma turma single-sex. Cfr. Blog do BG.

O modelo de educação personalizada ganhou força nos EUA em 2002, quando uma lei permitiu às agências educacionais locais usar fundos públicos — destinados a “programas inovadores”— para apoiar escolas que separavam estudantes por gênero.

Também no Paquistão. Escola em KhyberPakhtunkhwa.
Também no Paquistão. Escola em KhyberPakhtunkhwa.
Em 2002 só uma dúzia de escolas públicas oferecia o serviço. Menos de uma década depois, em 2011, pelo menos 506 instituições públicas tinham atividades desse tipo.

Só na Espanha — país de origem do criador da Educação Personalizada, Victor García Hoz — há pelo menos 219 centros de estudo oferecendo educação diferenciada.

A informação provém da Associação Europeia de Educação Single Sex (Easse, na sigla em inglês).

A Suprema Corte da Espanha reconheceu esse direito a nove colégios da Andaluzia. Cfr. Solar Colegios.

Esse tipo de escola tende a se disseminar pela América Latina, diz o secretário geral da Associação Latino-americana de Centros de Educação Diferenciada (Alced), Ricardo Carranco.

Em 1995, a Escola Catamarã, em São Paulo, foi fundada sob o projeto pedagógico de Hoz.

Além dela, o Colégio do Bosque Mananciais, em Curitiba, virou símbolo da educação diferenciada por sexo no país.


terça-feira, 19 de junho de 2018

Doceiro recusa bolo a dupla LGBT, é processado, mas vence na Suprema Corte dos EUA

Clientes parabenizam Jack Phillips (de luvas) após vitória na Suprema Corte
Clientes parabenizam Jack Phillips (de luvas) após vitória na Suprema Corte
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Suprema Corte dos Estados Unidos julgou em favor do confeiteiro cristão Jack Phillips, dono da confeitaria familiar “Masterpiece Cakeshop” em Lakewood, Denver, estado do Colorado, que recusou fazer um bolo de casamento para um casal homossexual por motivos religiosos.

A informação agastou tubas da mídia americana como o “The Washington Post” e foi ecoada até por órgãos da mídia brasileira como o “O Estado de S.Paulo”. 

Os ministros do Supremo discordaram por 7 x 2 da Comissão de Direitos Civis do Colorado que aceitou como válidas as queixas LGBT contra Jack Phillips. A Suprema Corte considerou que a Comissão mostrou hostilidade a uma religião.

A Suprema Corte considerou que a ideologizada Comissão violou os direitos religiosos de Phillips garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

A Comissão dizia que o confeiteiro violou a lei antidiscriminação do Colorado, que proíbe a qualquer um recusar serviços com base em raça, sexo, estado civil ou orientação sexual.

Jack Phillips recusa serviços para festas contrárias à Fé e à moral.
Jack Phillips recusa serviços para festas contrárias à Fé e à moral.
Os supremos magistrados, pelo contrário, concluíram que para o confeiteiro cristão “criar uma torta de casamento para um casal do mesmo sexo seria o equivalente a participar de uma celebração contrária às suas crenças mais profundas”.

Centenas de pessoas se congregaram em torno da confeitaria para comemorar a sensata decisão do Supremo, noticiou Catholic News Agency. 

Phillips e sua família vinham recebendo ameaças e mensagens email e telefónicas impregnadas de crueldade, ódio e violência, mas não perderam a calma, acrescentou a mesma Catholic News Agency.

O processo com ar de represália vingativa contra o cristão foi recusado também por dois dos quatro juízes liberais do tribunal, Stephen Breyer e Elena Kagan. Esses concordaram com cinco colegas conservadores com o relator juiz Anthony Kennedy.

“A hostilidade da Comissão foi incoerente com a garantia da Primeira Emenda de que nossas leis serão aplicadas de uma forma que seja neutra para religiões”, escreveu Kennedy.

Dos 50 Estados americanos, 21 têm leis antidiscriminação que protegem os LGBT, incluindo o Colorado.

Mas o caso ultrapassou os limites do Colorado. E se tornou um caso simbólico que pode ter profundos efeitos na polarizada sociedade americana.

Estão em jogo princípios, valores religiosos, fanatismo igualitário e ativismo LGBT além da liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição, mas que pareceu de nada valer para o dono da pequena doceira.

Manifestação de apoio a Jack Phillips
Manifestação de apoio a Jack Phillips
Phillips explicou que sua padaria “Masterpiece Cakeshop” não podia aceitar o pedido da dupla que, aliás, soou a provocação e montagem, que solicitara um bolo especial de casamento.

Os advogados argumentaram com razão que o bolo representa a instituição do casamento e, portanto, na decisão do confeiteiro estava envolvida uma mensagem sobre o conceito de família.

Um da dupla LGBT afirmou que assim que explicaram o bolo que queriam, o confeiteiro “disse imediatamente que não iria fazê-lo para um casal homossexual”.

O acórdão da Suprema Corte foi um dos mais aguardados neste ano, escreveu “The Washington Post”. Agitadores homossexuais se burlavam da religião e das Sagradas Escrituras do lado externo do prédio da Corte.

O tema está no cerne do conflito cultural que opõe a crescente direita religiosa aos agressivos grupos LGBT muito promovidos e financiados pela anterior administração Obama e poderosos grupos econômicos.

O grande jornal do establishment esquerdista de Washington tentou comemorar que “a ideologia patriarcal, no coração do cristianismo conservador, é cada vez mais rejeitada pela sociedade”. E torce por alguma reviravolta processual ainda que ideologicamente manipulada.

Mas, o imenso setor são do país está com as boas atitudes como a do padeiro de Lakewood.





terça-feira, 5 de junho de 2018

O grande retorno da França ao catolicismo histórico

Manifestação contra o 'casamento' homossexual em Paris
Manifestação contra o 'casamento' homossexual em Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na secular guerra cultural e religiosa contra a Igreja Católica desencadeada pela Revolução protestante, prosseguida pela Revolução Francesa, laica e igualitária, continuada por sua vez pela atual revolução marxista e o comuno-anarquismo gramsciano e sorboniano, está se definindo uma inversão de tendências.

A surpreendente rotação foi sagazmente analisada pelo escritor especialista no catolicismo Henri Tincq numa entrevista para a revista “Le Point”.

Henri Tincq é um dos grandes bardos do “catolicismo progressista” protocomunista que mina a prática católica na França desde o Concílio Vaticano II.

“O Grande Medo dos Católicos da França”
é impressionante pranto
pela agonia da revolução progressista
Também é grande especialista em outras religiões, escreve em Slate e em “Le Monde des Religions”, e acaba de publicar o livro “La Grande Peur des Catholiques de France” (“O Grande Medo dos Católicos da França”), Grasset, Paris, 208 págs.

Nele lança um gemido de alerta contra “a tentação conservadora, leia-se reacionária” que vê se espalhar na Igreja Católica francesa.

Essa é tão grande que Tincq afirma “não mais reconhecer minha igreja” progressista, socialista, sindicalista e revolucionária.

Pois ele foi criado “nos famosos movimentos da Ação Católica” e se sente parte de uma “geração herdeira das grandes reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965)”.

Dita geração se abriu ao mundo moderno no que tem de pior, iniciou o ‘diálogo’ convergente com falsas crenças e ateus.

Mosteiros tradicionais atraem muitas vocações, mas os seminários 'modernos' fecham. Foto abadia de Lagrasse.
Mosteiros tradicionais atraem muitas vocações, mas os seminários 'modernos' fecham.
Foto abadia de Lagrasse.
Esse catolicismo revolucionário gerou na França camadas de políticos e sindicalistas de esquerda. Seu equivalente brasileiro se articulou no PT e na CNBB.

Mas, lamenta Tincq, a França hoje se move em sentido inverso: os jovens abandonam o mundo laicista democratizado e vão procurar na Igreja valores e modelos seguros e visíveis: a fé.

Por certo, não vão para a ‘Igreja progressista’ e procuram a Igreja Católica em sua autenticidade, dita “conservadora” e/ou “tradicionalista”.

Tincq conta que em seus primeiros anos, os jovens abandonavam a Igreja para se entregar ao mundo.

Hoje, abandonam o mundo e ingressam nessa Igreja Católica de sempre abandonada pelas gerações de pais e avós.

Manifestação  no Trocadero, Paris, por candidato conservador.
Ele observa que 48% dos eleitores franceses votou pelo candidato direitista François Fillon, fato que o deixou “gelado”.

O moderno “catolicismo praticante” engrossa as manifestações contra o aborto e o “casamento homossexual”.

Mas, diz ele, “aquilo que mais me surpreende e entristece é que a Conferência Episcopal Francesa não foi capaz de convocar os fiéis para formar uma barragem” contra a ‘extrema direita’.

Nas décadas anteriores, o episcopado dava orientações conformes à leitura revolucionária do Evangelho em nome do Vaticano II, disse Tincq a “Le Point”.

Presidenciais francesas foram mais uma ocasião para a explosão da 'virada conservadora' da França
Presidenciais francesas foram mais uma ocasião
para a explosão da 'virada conservadora' da França
Mas, a realidade francesa mudou: onda de atentados terroristas, ingresso assustador de migrantes, perda da identidade cultural e religiosa, soberania nacional ameaçada pela União Europeia, medo do Islã, recusa da hegemonia cultural e moral da esquerda iniciada em 1968, medo do laicismo militante e agressivo contra os símbolos católicos.

Multiplicam-se as vocações monásticas tradicionais, cresce o movimento de retorno às liturgias ‘extraordinárias’ e há uma retomada das devoções tradicionais que fogem da modernice que esterilizou seminários e ordens religiosas.

E isso acontece enquanto os “católicos de esquerda quase desapareceram”. Suas últimas e escassas atividades são “eclipsadas pelas manifestações multitudinárias tipo ‘Manif pour tous’, pelos blogs e as publicações de católicos ‘identitários’”, pranteia o militante do velho catolicismo revolucionário.

Tincq sublinha que “o catolicismo audaz e progressista do Papa” está cada vez mais “cortado dessa parte da Igreja”.

Mais da metade do clero francês criado como Tincq hoje têm mais de 75 anos e seus seminários ou fecharam ou estão vazios.

O retorno do anel que teria sido de Santa Joana de Arco mobilizou as saudades do passado na França.
O retorno do anel que teria sido de Santa Joana de Arco
mobilizou as saudades do passado na França.
Tal vez, prossegue o escritor, o Papa Francisco se tenha tornado mais popular fora do mundo católico do que dentro de sua própria Igreja.

A causa?: seus apelos à tolerância face aos homossexuais, aos divorciados, às mulheres que abortam, suas diatribes contra o capitalismo financeiro devastador, seus apelos irrealistas pela acolhida dos imigrantes islâmicos.

Muitos católicos lhe reprocham desvalorizar a missão do Papa, de rifar a doutrina, de ser ‘angélico’ diante da imigração islâmica, de trair a alma cristã da Europa.

Até cardeais como Raymond Burke, Robert Sarah ou Gerhard Müller militam pelo fim dessa “desordem” do pontificado e anseiam o retorno a uma Igreja disciplinada e regida por leis, deplora o esquerdista desanimado Tincq.

Missa de réquiem pelo rei guilhotinado Luis XVI, lota igreja de Saint-Eugène-Sainte-Cécile em Paris, todos os anos
Missa de réquiem pelo rei guilhotinado Luis XVI,
lota igreja de Saint-Eugène-Sainte-Cécile
em Paris, todos os anos
Ele chega a temer que o atual pontificado “acabe virando um fogo de palha, um parêntese na história da Igreja moderna. Os católicos não escondem mais que estão aguardando que vire a página”.

Espalha-se, acrescenta, “que este Papa liberal estaria pronto a abandonar, ou pelo menos cessar de defender com energia os princípios da doutrina e da disciplina católica”.

Por fim, Tincq clama no deserto: “onde estão as grandes vozes episcopais, os intelectuais católicos de renome [obviamente progressistas ou subversivos] que, outrora davam o tom na mídia e no cenário político?”.

Mas, ele sabe que não há mais e se tiver não tem eco.

Ele fez alusão a ativistas revolucionários franceses que estiveram na moda.

Equivalentes europeus de bispos “vermelhos” como dom Helder Câmara, D. Pedro Casaldáliga ou o Cardeal Paulo Evaristo Arns, e de ativistas leigos como os que fundaram e dirigiram o PT e que hoje até estão no cárcere ou estão sendo processados por corrupção.



Missa de réquiem por Luís XVI, em Paris, 2017





Mosteiros tradicionais ressurgem na França. Mas seminários "progressistas" fecham


terça-feira, 8 de maio de 2018

Centenas de muçulmanos recebem o batismo católico na França

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Mais de 4.258 adultos – 40% a mais que no ano passado – receberam o batismo na Igreja Católica na França na vigília da Páscoa.

Entre esses havia 280 pessoas que renunciaram ao islamismo, um número que está crescendo nos últimos anos, segundo a Conferência Episcopal da França (CEF) citada pelo “Times of Israel”.

Na vigília da Páscoa se celebra a Missa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo em que tradicionalmente é dado o batismo aos catecúmenos.

Perto de 60% dos adultos tinha entre 18 e 35 anos. 53% e provinha de famílias de tradição cristã. 22% até a conversão se diziam “sem religião”, ou ateus. O número dessas conversões aumentou 35% nos últimos dez anos.

Os dados foram comunicados à agência France Press pelo Pe. Vincent Feroldi, diretor do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos da CEF, quem destacou que “até 2016, o número desses casos estava sempre embaixo de 200”.

O responsável destacou que os migrantes muçulmanos chegam de países onde não há liberdade religiosa e que na França dão o passo e se convertem por um “encontro pessoal com Jesus Cristo”.

A renúncia do Islã é problemática, pois o Corão a condena como apostasia intolerável merecedora da morte aplicável imediatamente e sem julgamento pelo primeiro que puder.

Muitos pedem que o batismo seja feito “com certa discrição” e fora das festas da Páscoa para não serem vistos. Por isso o número anual total de batismos de ex-maometanos é assaz superior.


terça-feira, 24 de abril de 2018

Em mais de 200 cidades,
argentinos dizem NÃO ao aborto

Marcha pela vida e contra o aborto, Buenos Aires.
Marcha pela vida e contra o aborto, Buenos Aires.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Perto de dois milhões de argentinos em pelo menos 204 cidades das 24 províncias (estados) manifestaram contra os projetos de despenalização do aborto, durante o mês de março.

Em Buenos Aires, o amplo espaço reservado para a manifestação nos parques de Palermo e avenidas que o atravessam foi desbordado pela multidão especialmente na famosa e imensa Avenida del Libertador, informou “La Nación”.

As mobilizações nas capitais das províncias tiveram uma adesão popular até maior proporcionalmente.

Em Córdoba, por exemplo, compareceram mais de 60.000 pessoas e em Santa Fé, por volta de 40.000, segundo o “Clarin”.

O site Infobae fez uma extensa lista dos locais de onde se reuniram os manifestantes que inclui as maiores cidades desde o extremo norte do país nas fronteiras do Brasil, Paraguai e Bolívia até Ushuaia na Terra do Fogo.

As marchas foram convocadas por diversos grupos religiosos, médicos e organizações pela vida.

40.000 pessoas na cidade de Santa Fé.
40.000 pessoas na cidade de Santa Fé.
O público foi composto maioritariamente por famílias católicas levava cartazes caseiros mas expressivos como “Aborto legal ou ilegal é assassinato”.

O ato patenteou também o descompasso entre a elite político-midiática do país – todos os partidos incluídos – e a enorme maioria da população.

Políticos e figuras “famosas” da mídia ainda quando se dizem favoráveis à vida, à família ou à conservação dos costumes nacionais e cristãos, sorrateiramente agem contra eles.

Esse descompasso crescente já se tinha feito sentir na marcha pelo Dia Internacional da Mulher montada por organizações de esquerda e financiada por órgãos da ONU e ONGs internacionais.

Contrariamente à tendência esquerdista em matérias de aborto e agenda LGBT imposta pelos líderes, milhares de manifestantes compareceram exibindo cartazes em favor da vida.

Fato análogo se verificou nestas centenas de manifestações por todo o país. O público participante massivamente apoia as linhas gerais do governo do presidente Mauricio Macri.

Porém, foi esse presidente que, se dizendo pela vida, impulsionou o atual debate no Congresso pela despenalização do aborto.

Sacerdotes presentes que não quiseram que seu nome fosse publicado declararam que os bispos representados pela Conferencia Episcopal deram voz de ordem ao clero para não comparecer e, sobre tudo para não tomar a palavra e não dar a bênção.

Fato análogo se verificou na Itália por ocasião das manifestações contra o “casamento” homossexual, deixando extremamente perplexas às famílias católicas que, entretanto, compareceram massivamente aos atos.

Abertura da Marcha pela vida em Buenos Aires.
Abertura da Marcha pela vida em Buenos Aires.
Em abril começou o debate parlamentar do aborto na Argentina.

Esse segue a cartilha já aplicada em outros países: um grupo de deputados esquerdista e pro-agenda LGBT apresenta demagógicas propostas, apoiados na rua por ativistas extremistas. Esses deputados e militantes de rua são amplificados pela mídia.

As famílias e as mulheres atingidas não são ouvidas, e quando recebem algum espaço é para apresenta-las de um modo desmoralizante.

O debate está em seus inícios e se se julgar pela propensão da maior parte dos argentinos, os projetos da cultura da morte não deveriam passar.

Mas é muito de se temer que a já manifestada abstenção do episcopado argentino acorde com orientações vindas de declarações do Papa Francisco, a resistência ao aborto pode ser desanimada ou desvirtuada, e algum projeto contra a vida poderá passar nessas condições.


Vídeo: Em mais de 200 cidades, argentinos dizem NÃO ao aborto





Em Córdoba




Em Santa Fé




terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A França desliga celulares nas escolas

Sem personalidade, sem cultura, incapazes de se relacionar com os colegas
Sem personalidade, sem cultura, incapazes de se relacionar com os colegas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A França proibiu que os alunos de até 15 anos tirem do bolso ou usem o celular no horário escolar, recreios incluídos.

Falando para a rádio RTL, o ministro da Educação Jean-Michel Blanquer explicou se tratar de “uma mensagem de saúde pública para as famílias”, reportou “El Mundo” de Madri.

“Por vezes, um celular pode ser necessário por razoes ligadas ao ensino. Porém, seu uso deve ser controlado”, sublinhou o ministro. “É bom que as crianças não fiquem tanto tempo diante da telinha. Melhor seria que nunca o façam antes do sete anos de idade”.

A proibição mentalmente profilática vigorará desde setembro (2018). Não impedirá levar os celulares para a escola, mas sim emprega-los em qualquer ponto do recinto educativo.

Os sindicatos de esquerda se revoltaram. Mas os pais dos alunos reclamavam muito a medida.

Desligados do ensino, educados para a incomunicação
Desligados do ensino, educados para a incomunicação humana
O presidente Emmanuel Macron atraiu muitos votos para se eleger prometendo reiteradamente na sua campanha para o palácio de Eliseu que acabaria com os telefoninhos nas horas de estudo e formação.

A norma não é uma novidade. Muitas escolas já vinham interditando o uso dos celulares nas aulas, especialmente as melhor sucedidas.

A iniciativa está crescendo também na Espanha em centros educacionais pioneiros.

Esses impedem até que os alunos se liguem por telefone entre eles nos recreios. A esperança é de que aprendam a conversar entre eles e desenvolvam qualidades sociais e relacionais que lhe garantam entrar futuramente em harmonia na sociedade, no trabalho e na vida familiar.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Santo Natal e Feliz Ano Novo 2018!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Islã progride porque a moral católica é contrariada e abandonada

Paris: a violência não lhes garante a ocupação, mas sim o vazio moral e populacional cristão
Paris: a violência não lhes garante a ocupação, mas sim o vazio moral e populacional cristão
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Os atentados terroristas islâmicos contra o Ocidente ex-cristão não cessam. Antes, multiplicam-se e se intensificam.

Na hora que começamos a escrever, o mais recente deles semeou a morte em Manhattan, Nova York. Mas não é impossível que, quando tivermos terminado de redigir, outro ou vários tenham sido perpetrados não se sabe onde.
Em território como o espanhol, invadido em algum momento histórico pelas hordas maometanas, a agressão alega o “direito” de “reconquista”.

Mas o Corão ordena avançar também sobre territórios nunca invadidos previamente por seus sequazes. Se o Brasil não está sofrendo atentados, é apenas por uma questão de proximidade geográfica. Em dado momento eles poderão começar.

Acresce que em países como a Espanha, com o desfazimento da família as crianças não nascem e a população mirra.

Uma consequência disso é o fechamento pelos governos de escolas do ensino fundamental.

Média de idade no Oriente e na Austrália. Japão em ponto crítico.
Média de idade no Oriente e na Austrália. Japão em ponto crítico.
O exemplo paradigmático escolhido por Giulio Meotti, diretor cultural do jornal “Il Foglio”, é o do Japão: quando o número de alunos cai para menos de 10% de sua capacidade, a escola é fechada.

O governo japonês transforma então os locais para educar crianças em asilos para cuidar dos idosos. Nesse país, 40% da população têm 65 anos ou mais.

Isso não é pesadelo ou ficção científica. O Japão se tornou a nação com a maior concentração de idosos e a mais estéril do mundo, onde se forjou a expressão popular “civilização fantasma“.

O Instituto Nacional de População e Pesquisas de Previdência Social do Japão prevê que por volta de 2040 a maioria das pequenas cidades japonesas terá perdido entre um terço e metade de sua população.

Muitas câmaras municipais não podem mais operar: os representantes não têm a quem representar! Foram então fechadas.

Média de idade na Europa. Muitos países em estado crítico.
Média de idade na Europa. Muitos países em estado crítico.
O número de restaurantes caiu de 850 mil em 1990 para 350 mil hoje. A causa aduzida é o “esgotamento da vitalidade”.

As previsões também sugerem que em 15 anos o Japão terá 20 milhões de casas abandonadas.

Será também este o futuro da Europa?

Especialistas em demografia já falam da Europa como o “Novo Japão“. O Japão, no entanto, se defende proibindo a imigração muçulmana, diz Meotti.

Mas a Europa está cometendo suicídio demográfico, fazendo o que o historiador britânico Niall Ferguson chama de “a maior redução sustentada da população desde a Peste Negra do século XIV”, segundo observou recentemente o historiador George Weigel.

E os muçulmanos convergem na Europa para preencher esse vazio.

O arcebispo de Estrasburgo, Dom Luc Ravel, citou o que “os muçulmanos devotos (...) chamam de a Grande Substituição. Eles afirmam de maneira tranquila e resoluta: ‘um dia, tudo isso, tudo isso, será nosso’”...

Média de idade no Oriente próximo. Milhões poderiam migrar e invadir
Média de idade no Oriente próximo. Milhões poderiam migrar e invadir.
O instituto interdisciplinar de estudos Centro Machiavelli julga que, pelas tendências atuais, por volta do ano 2065 os descendentes dos imigrantes da primeira e segunda geração de islâmicos ultrapassarão 22 milhões de pessoas. Ou seja, mais de 40% da população da Itália.

Na Alemanha, 36% das crianças menores de cinco anos têm pais imigrantes.

Em 13 dos 28 países membros da UE, em 2016, morreram mais pessoas do que nasceram.

A queda livre demográfica é mais visível na “nova Europa”, em países do antigo bloco soviético como Polônia, Hungria e Eslováquia, que foram formados oficialmente na imoralidade do socialismo ateu e igualitário.

Neles está explodindo a “bomba do decrescimento populacional”, colapso devastador da taxa de natalidade que o analista de questões contemporâneas Mark Steyn chamou de “o maior problema da nossa época“.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán salientou que há aqueles que querem preencher o vazio populacional europeu recorrendo à imigração.

Não é o caso de seu país, onde querem resolver os problemas demográficos com os próprios recursos, em primeiro lugar “renovando-nos espiritualmente”.

As cercas não os conterão. Querem invadir, são jovens. Os europeus parecem punidos por limitar a natalidade e abandonar a família católica
As cercas não os conterão. Querem invadir, são jovens.
Os europeus parecem punidos por limitar a natalidade e abandonar a família católica
O problema maior não é saber se a Europa será muçulmanizada. É saber se ela “continuará a pertencer aos europeus”, reflete Meotti.

E o problema é antes de tudo moral e religioso. Está na essência da família.

Houve uma época em que os países da Europa Oriental temiam os tanques soviéticos, agora eles temem os berços vazios, comenta Meotti.

Segundo a ONU, a Europa Oriental tinha cerca de 292 milhões de habitantes em 2016, 18 milhões a menos do que no início da década de 1990. O número é equivalente a toda a população da Holanda.

Segundo o jornal Financial Times, a Europa Oriental sofre “a maior perda de população na história moderna”.

Sua população está diminuindo como nunca antes. Nem durante a II Guerra Mundial, com os massacres, deportações e movimentos populacionais soviéticos se chegou a tal abismo.

A imigração islâmica em massa zerará as estatísticas negativas, mas a Europa também se tornará uma “civilização fantasma” que cometeu um tipo de suicídio diferente, porém mais atroz, conclui Meotti.



Acréscimo de Giulio Meotti


Média de idade na América do Sul também está decaindo,
e os problemas da migração invasora virão junto
A Romênia perderá 22% da população até 2050, seguida pela Moldávia (20%), Letônia (19%), Lituânia (17%), Croácia (16%) e Hungria (16%). Romênia, Bulgária e Ucrânia são os países onde o declínio da população será mais drástico.

Estima-se que em 2050 a população da Polônia encolherá dos atuais 38 milhões para 32 milhões. Cerca de 200 escolas foram fechadas, mas há crianças suficientes para preencher as que ainda restam.

Na Europa Central, a proporção dos habitantes com “mais de 65 anos” aumentou em mais de um terço entre 1990 e 2010.

A população húngara encontra-se no ponto mais baixo em meio século. O número de habitantes diminuiu de 10.709.000 em 1980 para 9.986.000 milhões hoje.

Em 2050 Hungria terá milhões de habitantes a menos e, em cada três deles, um terá mais de 65 anos. A Hungria conta hoje com uma taxa de fertilidade de 1,5 filhos por mulher. Se excluirmos a população cigana, o número cai para 0,8, o mais baixo do mundo.

Entre 2015 e 2050, a Bulgária terá o declínio populacional mais célere do mundo: mais de 15%, juntamente com a Bósnia Herzegovina, a Croácia, a Hungria, o Japão, a Letônia, a Lituânia, a Moldávia, a Romênia, a Sérvia e a Ucrânia.

Em 30 anos a população búlgara deverá cair de cerca de 7,15 milhões de habitantes para 5,15 milhões – uma queda de 27,9%.

Em 1990 nasceram na Romênia pós-comunista 315 mil crianças. Hoje, os dados oficiais registram 178 mil bebês. Em 2016, a Croácia teve 32 mil nascimentos, um declínio de 20% em relação a 2015.

Quando a República Tcheca fazia parte do bloco comunista, sua taxa de fertilidade se encontrava próxima do índice de substituição populacional (2,1). Hoje é o quinto país mais estéril do mundo!

A Eslovênia tem o PIB per capita mais alto na Europa Oriental, mas uma taxa de fertilidade extremamente baixa.