terça-feira, 6 de novembro de 2018

Profanações e blasfêmias em vingança pela derrota do aborto

Imagens de Lourdes profanadas com tinta  na igreja de Santa Maria Betânia
Imagens de Lourdes profanadas com tinta
na igreja de Santa Maria Betânia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Duas semanas após a derrota do projeto de aborto no Senado da Argentina, três igrejas católicas de Buenos Aires foram atacadas com tinta vermelha, pichações e cartazes contra a vida, noticiaram a Agência Informativa Católica Argentina – AICA, e ACIPrensa.

Os ataques visaram as paróquias de Santa Maria de Betânia, de Nossa Senhora das Dores e o santuário de Jesus Sacramentado, todos eles no bairro de Almagro, região central de Buenos Aires.

Os grosseiros atentados confirmaram o caráter religioso anticatólico que caracteriza a ofensiva contra a vida na Argentina, e por similitude no mundo.

Na paróquia de Santa Maria de Betânia foi profanada uma imagem externa do templo dedicada à aparição de Nossa Senhora em Lourdes e a Santa Bernadette.

Os agressores deixaram cartazes com insultos contra a Igreja e em favor do aborto.

O vigário paroquial, Pe. Salvador Gómez, declarou à TV Todo Noticias que de início achou que se tratava de sangue humano, mas logo percebeu se tratar de tinta vermelha.

Um cartaz revelava o fundo ideológico dos agressores dizendo: “a única Igreja que ilumina é a que pega fogo” e “as raparigas mortas não voltam mais, vocês são os culpados”.

No Santuário de Jesus Sacramentado um dos cartazes deixados dizia: “Igreja e Estado, assunto separado”, em alusão à união entre a Igreja Católica e o Estado que ainda vigora na Argentina, embora muito contestada pelas esquerdas laicas e eclesiásticas.

O cartaz menor diz: “a única Igreja que ilumina é a que pega fogo”
O cartaz menor diz: “a única Igreja que ilumina é a que pega fogo”
Os sacerdotes do santuário responderam em comunicado que não pensam mudar o rumo de seu apostolado religioso. Ressaltaram que não recebem subsídios do Estado – aliás, contrariamente às ONGs abortistas e feministas.

O bispo de Gualeguaychú, Mons. Héctor Zordán, que foi pároco antes de ser nomeado bispo na igreja de Nossa Senhora das Dores atacada da mesma forma, repudiou a profanação.

Outra vingança reveladora do fundo religioso da militância abortista frustrada foi fornecido pela quase ignota Coalizão Argentina pelo Estado Laico – CAEL.

Essa associação convocou voluntários para se desfiliarem da Igreja Católica pelo fato do projeto do aborto ter sido derrubado pelo Senado, informou a “Folha de S.Paulo”.

O grupo anticlerical repete este tipo de apostasias públicas e por escrito desde 2009, com paupérrimos resultados, mas é muito ecoado pela imprensa que agiganta suas verdadeiras dimensões.

A CAEL exibe um símbolo pedindo a separação entre Igreja e Estado pintado num lenço preto. Esse lenço foi afixado nas igrejas alvo dos atentados acima referidos.

A CAEL passou a aproveitar os escândalos de alguns clérigos na Igreja para reivindicar que sejam tirados os sinais católicos de locais públicos, cobrar impostos às paróquias e mais um projeto de lei para liberalizar a matança de inocentes.

A Igreja lembrou que a única saída de suas filas é a excomunhão. A organização CAEL começou então a pedir que aos pais adiem o batismo dos filhos.

Grave ofensa a Nossa Senhora das Graças na cidade de San Luis
Grave ofensa a Nossa Senhora das Graças na cidade de San Luis
O grupo reuniu uma pequena marcha em que os participantes pediam aos berros uma “apostasia coletiva” em resposta à “intolerância da Igreja com relação ao tema do aborto e os abusos de padres pedófilos”.

Malgrado a muita agressividade dos manifestantes, o ato caiu no vazio.

Paola Rafetta, uma dirigente da CAEL embaralhou as reivindicações ateias com críticas à ditadura militar (1976-1983), da qual “a Igreja foi cúmplice”, segundo ela.

A entidade recebeu apoio de algumas Mães e Avós da Praça de Maio, ativistas da esquerda outrora ligadas a Fidel Castro e hoje amparadas por Cristina Kirchner, ao menos enquanto não acabar no cárcere. Também têm boa entrada com o Papa Francisco.

As autoridades eclesiásticas não receberão os fantasiosos formulários da apostasia. A CAEL promete rumorosamente apelar à ONU, enquanto seus ativistas atacam as igrejas, símbolos e tradições católicas.


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