domingo, 26 de setembro de 2010

Arcebispo de Tarragona exorta a desobedecer a Lei do Aborto

O hospital de Sant Pau, gerido com participação da Igreja, pratica abortos
O religioso considera que importa “antepor as normas de Deus às dos homens”

ESTHER ARMORA / BARCELONA

“Importa obedecer a Deus antes que aos homens”. O arcebispo metropolitano de Tarragona, Jaume Pujol Balcells, exorta seus fiéis a desobedecer às leis civis caso estas se oponham às exigências morais e pessoais.

Ele o expõe com esta clareza e contundência na folha paroquial que será distribuída no próximo domingo. O religioso alude em especial ao aborto e à eutanásia.

Sua advertência chega após o pronunciamento da diocese de Tarrasa (Barcelona) contra a prática de Interrupções Voluntárias da Gravidez (IVE, em espanhol) nos hospitais geridos em parceria com a Igreja, e depois de a Arquidiocese de Barcelona ter afirmado desconhecer a realização de tais intervenções no Hospital de Sant Pau de Barcelona – de cujo patronato participa a Igreja –, onde, segundo dados do Ministério da Saúde, só em um ano foram praticados mais de uma vintena.

Sob o título “Aos quatro ventos”, a folha paroquial alude “às obrigações inerentes às relações entre as pessoas e as autoridades civis”, e trata da vocação de serviço dos funcionários. Na opinião do arcebispo de Tarragona, “os cidadãos têm alguns deveres em relação às autoridades civis”, devendo lhes oferecer “uma colaboração leal para o bom funcionamento da vida pública e social”.

Isso comporta, segundo a folha, “o amor e o serviço à pátria, o direito e o dever de voto, o pagamento dos impostos, a defesa do país e o direito a uma crítica construtiva”.

«Não obedecer em consciência»

Acrescenta, entretanto, que “implica também a obrigação de não obedecer em consciência quando as leis das autoridades civis se opõem às exigências da ordem moral”.

“Desobedecer a Deus é ainda mais grave quando se atenta contra a vida”

“Importa obedecer a Deus antes que aos homens, recorda-nos os Atos dos Apóstolos”, diz o arcebispo. E acrescenta que não fazê-lo “é especialmente grave se estas leis vão contra a vida humana, desde a concepção até seu fim natural”.

A partir da denúncia do ABC, numerosas associações pela vida levantaram de novo sua voz contra a prática de abortos em centros sanitários participados direta ou indiretamente pela Igreja.

O Foro da Família considera a situação “escandalosa” e “incongruente com a posição absolutamente modelar mantida pela Igreja na sua defesa da vida”.

Por esta razão, esta e outras entidades de defesa da vida reclamam uma solução urgente para esta situação tão paradoxal. Josep Maria Simón, da Federação Internacional de Associações dos Médicos Cristãos, critica “a falta de contundência” dos representantes da Igreja ao não oferecer uma oposição explícita e pública a essas práticas”.

“Interromper uma vida é um mal, não importando a circunstância na qual isso se faz, e os representantes da Igreja no Hospital de Sant Pau deveriam deixar isso publicamente claro”, observa Simon.

Na nota emitida em relação ao Hospital de Sant Pau, o Arcebispado de Barcelona se mostra contra o aborto e afirma que naquele centro não se realizam tais práticas, embora admita que “excepcionalmente” podem ocorrer “circunstâncias médicas que levem a atuações que possam ter como conseqüência a perda do feto”.

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